EU261 vs. Convenção de Montreal: o que se aplica e quando?
Valor fixo do EU261 ou reparação da Convenção de Montreal? A comparação clara — combinar ambos, limites de responsabilidade e o prazo de dois anos.
EU261 vs. Convenção de Montreal: a visão rápida
Após uma perturbação de voo entram em jogo dois diplomas: o Regulamento (CE) n.º 261/2004 e a Convenção de Montreal. Ambos protegem os seus direitos, mas de forma muito diferente. O EU261 paga uma compensação fixa de 250, 400 ou 600 EUR, sem provar qualquer dano. A Convenção de Montreal, por sua vez, reembolsa custos reais e comprovados — bagagem perdida, uma ligação paga perdida, despesas consequentes.
A boa notícia: não é um ou outro. O Tribunal de Justiça confirmou que os dois sistemas se complementam (TJUE C-344/04, IATA). Em muitos casos pode reclamar o valor fixo do EU261 e o reembolso das suas despesas reais ao abrigo de Montreal. Este artigo mostra o que se aplica e quando — e como reclamar ambos corretamente.
O que regula o Regulamento 261/2004?
O EU261 concede uma compensação padronizada por três perturbações: atraso longo, cancelamento e recusa de embarque (overbooking). O valor é fixado por lei e depende apenas da distância do voo — não do seu prejuízo real. Sem faturas, sem cálculo de perdas.
- 250 EUR em voos até 1500 km.
- 400 EUR em voos entre 1500 e 3500 km.
- 600 EUR em voos acima de 3500 km fora da UE.
Um requisito essencial é um atraso à chegada de pelo menos três horas (TJUE Sturgeon, C-402/07). Se a companhia recusar, a ANAC (Autoridade Nacional da Aviação Civil) é a autoridade de supervisão e, na via judicial, o Julgado de Paz ou o Tribunal de Pequenas Instâncias resolvem os pequenos litígios. O valor fixo cobre o incómodo padrão. Tudo o resto é terreno de Montreal. A cobertura inclui também voos de e para os Açores e a Madeira.
O que regula a Convenção de Montreal?
A Convenção de Montreal de 1999 regula a responsabilidade da companhia por um dano concreto e comprovável nos voos internacionais. Ao contrário do EU261 não há valor fixo: reembolsa a perda que conseguir documentar, até um limite expresso em direitos de saque especiais (DSE). Um DSE vale cerca de 1,25 EUR.
Desde a revisão do final de 2019 aplicam-se estes limites por passageiro:
- Bagagem (perda, dano, atraso): até 1288 DSE (cerca de 1600 EUR).
- Dano por atraso do passageiro: até 5346 DSE (cerca de 6600 EUR).
- Morte ou lesão corporal: responsabilidade objetiva até 128 821 DSE, acima disso com base na culpa.
Casos típicos: a sua mala chega com três dias de atraso e compra roupa de substituição. Ou o atraso faz perder uma noite de hotel ou uma excursão já paga. Recupera esses custos reais ao abrigo de Montreal — mediante apresentação dos comprovativos.
Comparação: as diferenças essenciais
A diferença de fundo é simples: fixo contra individual. Esta tabela confronta os dois diplomas:
| Critério | EU261/2004 | Convenção de Montreal |
|---|---|---|
| Tipo de pagamento | Valor fixo (250–600 EUR) | Reembolso do dano real |
| Prova do dano | Não necessária | Comprovativos exigidos |
| Casos típicos | Atraso, cancelamento, recusa de embarque | Bagagem, custos consequentes, lesões |
| Limite | Nenhum (valores fixos) | Limitado em DSE |
| Prescrição | Direito nacional (PT: 3 anos) | 2 anos (fixo) |
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Criar a minha carta de reclamaçãoQuando se aplica cada um — e quando ambos em conjunto?
Os dois sistemas funcionam em paralelo. O TJUE esclareceu que a compensação fixa do EU261 atua «a montante» e não substitui o direito à reparação individual ao abrigo de Montreal (TJUE C-63/09, Walz). Um exemplo concreto torna isto claro:
- Quatro horas de atraso, longo curso: 600 EUR fixos do EU261 — independentemente de ter sofrido dano.
- Mais um aluguer de carro pré-pago e perdido de 120 EUR: reclama esses 120 EUR reais adicionalmente ao abrigo de Montreal — com o comprovativo.
- Bagagem chegada com atraso, 90 EUR de roupa: caso puramente de Montreal, sem relação com o EU261.
A regra prática: o incómodo padrão passa pelo EU261, as despesas concretas por Montreal. As companhias por vezes tentam imputar o valor fixo a uma reparação mais ampla — o TJUE só o admite sob condições estritas. Em caso de dúvida, formule ambos os pedidos em separado e com clareza.
Prazos: dois anos ou três?
Aqui espreita a maior armadilha. A Convenção de Montreal fixa no artigo 35 um prazo de caducidade de dois anos a contar da chegada (ou da chegada prevista). É rígido e não pode ser prorrogado — perdê-lo faz cair o direito de forma definitiva. Para pedidos de bagagem e custos consequentes: não se atrase.
O valor fixo do EU261, por sua vez, prescreve segundo o direito nacional. Em Portugal o prazo é de três anos. É mais generoso do que o de Montreal — por isso, se tiver ambos os direitos, oriente-se pelo prazo mais curto de dois anos e atue cedo.
Aviso legal: Este artigo tem fins de informação geral e não constitui aconselhamento jurídico. Os limites em DSE, as taxas de câmbio e os prazos de prescrição podem mudar e variam consoante o país. Para casos complexos ou danos de valor elevado, recomendamos consultar um advogado.
Perguntas frequentes (FAQ)
Posso reclamar a compensação EU261 e a reparação Montreal ao mesmo tempo?
Sim. O TJUE confirmou que o valor fixo do EU261 e a reparação individual de Montreal coexistem (C-344/04, C-63/09). O valor fixo cobre o incómodo padronizado; Montreal cobre as suas despesas reais e comprovadas.
Que diploma se aplica à bagagem perdida ou atrasada?
Apenas a Convenção de Montreal. O EU261 não prevê qualquer compensação por bagagem. Os custos comprovados são reembolsados até 1288 DSE (cerca de 1600 EUR) por passageiro — com comprovativos e o auto de irregularidade (PIR) emitido no aeroporto.
O que são direitos de saque especiais (DSE)?
Os DSE são uma unidade de conta do Fundo Monetário Internacional. A Convenção de Montreal exprime os seus limites em DSE para suavizar as variações cambiais. Um DSE vale atualmente cerca de 1,25 EUR; a taxa exata é publicada diariamente.
Porque é o prazo de dois anos tão importante?
Porque é um prazo de caducidade, não uma prescrição comum. Não pode ser suspenso nem prorrogado. Dois anos após a chegada, o direito de Montreal perde-se de forma irrevogável — mesmo que o seu direito EU261 ainda dure três anos em Portugal.
A ClaimEU261 também ajuda com pedidos Montreal?
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